sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A democracia autoritária

Um fenômeno em particular chama a atenção nestas eleições: a cobertura engajada da grande mídia no processo eleitoral


Por Francisco Fonseca

Um fenômeno em particular chama a atenção nestas eleições de 2010: a cobertura engajada da grande mídia no processo eleitoral, e particularmente sua extrema partidarização. Embora não seja propriamente um fenômeno novo, muito pelo contrário, há elementos específicos nesta eleição, tais como: a tentativa de derrotar a figura de Lula como líder nacional e internacional, mesmo num quadro ideológico em que o capital não tem o que temer; o intento de reverter a orientação da política exterior brasileira na perspectiva de um realinhamento com o ainda chamado G-7; e o objetivo de restaurar o Estado excludente, elitista e voltado às “reformas orientadas para o mercado”, em termos de políticas sociais – mesmo considerando-se as contradições do governo Lula, que estabeleceu um grande arco de alianças de classe que vai da esquerda à direita (e dos miseráveis aos ricos), com todas as conseqüências que uma tal coalizão produz.

Diferentemente da surrada e autoalegada cantilena sobre a “independência” e o “apartidarismo” da mídia, o que se observa nestas eleições é a tentativa desesperada de jornais e revistas da chamada grande mídia em simultaneamente desqualificar os avanços do governo Lula e blindar a principal candidatura de oposição. Parafraseando o importante livro de João Almino, Os Democratas Autoritários (Editora Brasiliense, 1980), sobre as contradições discursivas e ideológicas dos partidos na Constituinte de 1946, em que se diziam democratas mas pensavam e atuavam de forma autoritária, o mesmo parecer vigorar nestas eleições quando o tema é a mídia.

Na verdade, suas crenças são impossíveis de se concretizar, pois os órgãos da mídia estão aprisionados estruturalmente a três grandes características: como empresa privada capitalista que objetiva o lucro; como “aparelho privado de hegemonia” (Gramsci), cujo objetivo é conquistar “corações e mentes” para as causas e interesses que representam; e como “intelectual orgânico”, que se assemelha a um partido organizador de classes e estratos sociais. Tudo isso lhes impede de ser o que dizem ser e sobretudo de fazer o que proferem. De fato, não se pode esperar da grande mídia, notadamente no atual marco (des)regulatório dos meios de comunicação no Brasil, nada mais do que uma posição partidária – não no sentido propriamente de um partido político, mas de classes sociais – com vistas a “orientar” tais classes a não seguir na coalizão proposta pelo governo Lula. Independentemente da análise que se possa fazer acerca desta grande coalizão, o fato é que ela existe e é rejeitada pela grande mídia e determinados setores sócio/econômicos que, mesmo beneficiários do crescimento econômico, postam-se como oposição cerrada.

A amplificação permanente de denúncias de corrupção, a tentativa de estigmatizar o governo Lula como perdulário, incompetente e aventureiro (sobretudo em política externa), entre outros impropérios, relegando os avanços sociais e institucionais, expressa simplesmente partidarização (no sentido de classe e de partido político) desesperada. Não que um sem-número de problemas, o que inclui corrupção, não exista em inúmeros governos; mas, entre essa constatação e a tentativa de estigmatizar o governo Lula como “República sindical” (no pior estilo golpista dos anos 1960), e com críticas ideológicas e moralistas (no pior estilo udenista), há uma enorme diferença.

O impacto da cobertura da grande mídia aparentemente é cada vez menor, pois a grande massa de brasileiros pobres que, por mecanismos diversos promovidos pelo governo Lula, ascenderam socialmente ou melhoraram sua condição de vida, simplesmente ignora a militância da grande mídia impressa. As redes de TV perceberam isso rapidamente – até porque dependem de financiamento do BNDES, entre outros agentes governamentais – e, embora algumas delas sejam do mesmo grupo empresarial proprietário de jornais e revistas, atuam de forma mais cautelosa. O mundo digital, embora pequeno proporcionalmente no país, tem também uma parcela de responsabilidade nesta diminuição do poder da mídia impressa.

Os democratas autoritários da mídia e seus representados – em sentido lato – estão sendo derrotados simultaneamente pelo Brasil profundo e urbano! Urge, até por essa derrota, uma reforma das leis (e de incentivos econômicos) aos meios de comunicação, tal como a Argentina vem realizando.

Não haverá a mais remota democracia com uma mídia golpista, hegemônica e autoritária!

Francisco Fonseca é cientista político e historiador, professor de ciência política da FGV/SP e autor, entre outros artigos e capítulos em livro, de O Consenso Forjado – A grande imprensa e a formação da agenda ultraliberal no Brasil, São Paulo, Hucitec, 2005.

Fonte: brasildefato.com.br

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Bispos da CNBB assinam panfletos contra Dilma, e distribuem em missa

(Mensagem recomenda voto somente a candidatos contrários à descriminalização do aborto - Postada no site do jornal Folha de S.Paulo, nesta terça-feira, dia 12, uma matéria revela que um panfleto atribuindo posições pró-aborto ao PT, ao presidente Lula e à presidenciável petista Dilma Rousseff foi distribuído hoje durante uma missa campal em homenagem a Nossa Senhora de Aparecida em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.)

Recentemente houve um acontecimento que mexeu com a opinião pública brasileira quando o Arcebispo de Olinda e Recife “excomungou” as pessoas que participaram do aborto no caso da menina que foi abusada pelo padrasto e engravidou. O aborto é abominado pela lei Cristã e pela lei secular brasileira. Quem é a favor do aborto, e qualquer um tem esse direito, não é um Cristão autêntico. Um cristão verdadeiro defende todos os princípios Cristãos. Mesmo que ele morra por causa disso ou que o mundo exploda. Ele vive de cada princípio cristão, não de um sim e de outro não. Os ensinamentos Cristãos são contrários ao aborto sob todas as formas. Entendo que a não ser quando a vida da mãe consciente, sob risco da própria morte, prefere sacrificar o seu feto. (o princípio da legítima defesa própria).

A igreja católica pecou gravemente quando cortejou o poder secular (como foi ao dar sustentação aos reinados luxuriantes e ímpios, ao nazismo perverso, à ditadura militar brasileira, entre outras – todos de teor maligno), peca quando quebra o seu voto de castidade (os sacerdotes), perante o SENHOR e pratica sexo, principalmente quando praticou – e muito -, a pedofilia. Crime hediondo acobertado por todos os Papas que dirigiram a igreja nas últimas décadas ou séculos, inclusive pelo Papa atual. Ela peca gravemente quando incita os seus membros à adoração de imagens e o culto à Maria, ambos dogmas veementemente contrários aos preceitos bíblicos (algum dos seus membros escreva sobre a base bíblica contrária aos meus argumentos). A igreja católica pecou quando perseguiu, usando o Estado - por meio da sórdida promiscuidade que os unia -, os Cristãos (que quer dizer, seguidores fiéis da doutrina de Cristo), quando matou, martirizou, expropriou (se apossando dos bens dos “excomungados” da igreja), e coibiu os Cristãos tradicionais influenciados pelo Padre católico Lutero (defensor do cristianismo puro, verdadeiro e independente do nefasto poder político), de adorarem a Deus em espírito e em verdade. Também o excomungaram, apenas por ter enxergado a verdade e de a ter ensinado: “O justo viverá da fé.” ; “Não de obras, para que ninguém se vanglorie”. Nisso se baseava a visão que causou a ruptura de Lutero aos PRECEITOS católicos, que desprezavam os verdadeiros preceitos bíblicos. Lutero não rompeu com a igreja Católica, apenas queria levar-lhe aos princípios primeiros “ao primeiro amor” e, ao invés de o ouvir, o expulsaram.

A crendice em Maria nunca será abolida pela igreja católica porque é o dogma que a diferencia de todas as outras igrejas Cristãs (chamadas docemente de evangélicas). Quando a ICAR ( Igreja Católica Apostólica Romana) renunciar ao culto de Maria – e consequentemente aos dos outros pobres mortais que veneram-, ela se tornará igual a todas as igrejas Cristãs. O que ela ela não quer. Ela quer ser a “celebridade” das igejas Cristãs, nem que para isso tenha que jogar tantos no inferno do engano.
No entanto a respeito desse assunto, do aborto, a igreja católica acerta. Quando aconteceu a repercussão acerca do assunto do aborto, combatido pela Igreja Católica, eu disse às pessoas que me cercavam: O que querem esses eruditos e sábios que escrevem nos jornais e sites? Que (por causa de erros de seus membros ), a Igreja, farol desse mundo insano – palco de guerras medonhas, de injustiças descabidas, de ignorâncias seculares, de conveniências sórdidas... -, se renda aos interesses de gerações atuais? Ou futuras? A Igreja Cristã (hoje - a católica e + as evangélicas tradicionais), ou sua doutrina, deve ser uma pedra, imutável, permanentemente inciciva interiormente e contundente socialmente. Deve tentar moldar o mundo, jamais ser por ele moldada. Nada justifica que a Igreja se renda às mazelas do mundo desobediente aos seus preceitos.

O erro não está na vida do filho que nasceu na conjuntura econômica atual – com sua crise financeira e moral , no desemprego, na falta de planejamento familiar, na vida do filho que nasceu numa família de miseráveis, no sexo forçado (em parte o feto é a vítima, e no todo ele é uma pessoa), ou em nada exterior à sua existência que começa complexa, como é o mundo caótico que circunda a todos. E nem por isso os que o habitam rejeitam a sua vida por causa desse mundo que demontram que nada, é de todo, certo. Deus ama a todos que são gerados e é o dono de todas as vidas ( isso só vale para os religiosos, que concebem a existência de um Deus real).

Já sobre a candidata Dilma Roussef ou sobre outra qualquer pessoa não será uma declaração dita em algum momento de sua vida que deve selar a definição de sua natureza ou de seus princípios. A natureza de todos é suscetivel à evolução e à revisão, portanto, dos princípios. A opinião das pessoas não são sinal irrevogável de sua índole. Não se pode usar indefinidamente uma palavra que se pode mudar para o bem de todos. A única palavra que se deve cabalmente se lamentar é a que não se pode mudar os seus efeitos.

Alberto magalhães