segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O marxismo materialista (resumo)



O marxismo, atualmente reverenciado por expressiva parte da humanidade, poderá predominar no mundo se um dia o capitalismo for rejeitado pelos povos, por ser considerado ineficiente aos propósitos da sociedade. E vai trazer mais infelicidade. O marxismo que deu origem ao comunismo cria a ideia de um falso domínio do proletariado sobre os meios de produção, em oposição à livre iniciativa, inserida no capitalismo e na democracia. Alegam os seus idealizadores que todos os males sociais são originados pelas “classes dominantes”. Sem propor medidas  saneadoras razoáveis para “consertar” o modelo existente.

Ocorre que jamais o povo dominará, seja a qual regime de governo ou sistema político estiver submetido. A teoria comunista surgiu mediante um bem elaborado projeto pessoal de poder político de líderes mal intencionados. Sempre haverá “representantes” populares governando pelo povo causando desmandos, injustiças, desigualdades, arbitrariedades. Todo governo humano é ineficiente e coercitivo e naturalmente gera insatisfações. Alguns até já tentaram amenizar o totalitarismo implacável do marxismo com um modelo de “marxismo humanitário”, quando percebemos que a teoria original usa a histórica questão da opressão do povo pelo capital para, pelo Estado, oprimir a todos.

O marxismo alimenta a ilusão de que o organismo social tem a capacidade de restaurar o indivíduo, e de que a religião, a cultura, e a economia predominantes são os fatores que estragam a percepção dos meios adequados para que se construa uma sociedade igualitária e justa, com todos tendo acesso a tudo o que é produzido. Nessa visão equivocada de consertar o mundo, o marxismo diz que o Estado é quem deve reger a consciência popular, porque esta deve ser formada pelo coletivo e não ao contrário, ou seja, o homem em si mesmo é vazio, sendo influenciado apenas pelos fatores externos alienantes. E sabemos que a questão não é simples assim, havendo inclusive evidências de elementos psicológicos universais, já no bebê, que não são adquiridos ou aprendidos e que o pensamento humano é autônomo e criativo, inquiridor por natureza.

A verdade é que quem oprime o homem é o próprio homem, como bem testificou  Thomas Hobbes, não os modelos políticos e econômicos precisamente, mas quem os conduz. Não se pode influenciar a alma das pessoas por meio de teorias filosóficas, políticas ou econômicas a fim de consolidar o bem. Principalmente abolindo a imagem de Deus, única fonte que permite ao homem o prazer na busca da solidariedade, fraternidade, igualdade vislumbrando o bem comum.

Alberto Magalhães, Agente de Polícia Judiciária da SSP de Sergipe.

domingo, 3 de setembro de 2017

O país que não deu certo



Quando eu vi a seleção brasileira receber sete gols da Alemanha (eu não vi o último gol, do Brasil, porque saí), eu perguntei a mim mesmo, enquanto andava pela minha rua silenciosa: “Porque o Brasil não dá certo?” Ora, o país tinha acabado de gastar bilhões de reais com a construção de arenas esportivas e o plantel canarinho era dos melhores. E recebeu uma goleada humilhante daquelas, em casa. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete gols. A zero. Isso eu constatei com esses olhos estupefatos. O que veio depois não importa mais para mim, eu nem sequer vi. O que ficou gravado foi o que os meus olhos viram. Lembrei-me de Ayrton Sena, o nosso campeão imbatível nas pistas, e a sua morte precoce. Lembrei-me do nosso ídolo mundial Pelé e a indignidade que ele praticou contra a sua filha, rejeitada por ele até a hora da sua morte (para que serviria os nossos heróis se não fosse para nos fazer melhores?). Roberto Carlos, que tão bem canta o amor, não é feliz nele. Fernando Collor, “o caçador de marajás”, o primeiro presidente eleito depois de duas décadas do regime de exceção, e o confisco da poupança dos trabalhadores brasileiros pelo seu governo demente e, depois, o impeachment. A fatalidade acontecida com Tancredo Neves, símbolo da redemocratização brasileira. A fatalidade com o nosso Sérgio Vieira de Melo, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, benfeitor da humanidade e forte candidato à Secretário-geral, morto num atentado com um caminhão-bomba na sede da ONU em Bagdá. A sempre frustrante expectativa da Igreja Católica brasileira em ver um cardeal brasileiro dirigir o Vaticano. A vitrine brasileira, Rio de janeiro, a cidade maravilhosa, submergida na guerra causada pelas drogas. A Amazônia arrasada pelos mercenários. O Rio São Francisco explorado e abandonado. A proposta do brilhante pensador e educador Paulo Freira relegada ao esquecimento. A nossa música entrou em estado de letargia. A boa música parou nos anos oitenta do século passado. A espontaneidade da vida social ficou prejudicada pela alta criminalidade urbana. O espírito de felicidade ingênua deu lugar a realidade. Políticos em baixa. Não há no cenário nacional mais lideres, pelo menos não há quem preste para ser exemplo, modelo para os mais novos. Nossa juventude, outrora futuro brilhante da nação, mergulhada na mediocridade atual, seduzidos pela vulgaridade e baixa qualidade predominantes na moda, na música e em outros segmentos sociais. Essa geração não produz pessoas como Anita Garibaldi, Tiradentes, Deodoro da Fonseca, Zumbi dos Palmares, Princesa Isabel, Ruy Barbosa, Cora Coralina, Sílvio Santos, Chico Mendes... O sonho acabou. Ao menos social e culturalmente. Mas, como disse algum romântico pensador, a esperança não morre. Os sonhos podem renascer das cinzas, como uma fênix tupiniquim.

Lutar é andar sobre pedras. Quem abre caminhos corre os riscos das cobras. Mas é aos pés dos que vão à frente que as borboletas se levantam”. Juscelino Kubitschek

Alberto Magalhães

A justiça e Nietzsche



Justiça não é só um conceito abstrato que norteia a religião, a moral, a ética e o direito. Justiça é princípio soberano nas relações interpessoais e sociais, em verdade, universais. Justiça genuína tem sintonia com a liberdade, a razoabilidade, a impessoalidade. Ela precede à religião, à moral, à legalidade e ao Estado Democrático de Direito. Estes segmentos a buscam, no entanto só a apreendem em parte. A questão que dificulta o entendimento dessa constatação é que a compreensão de justiça é permeada por uma visão própria desse conceito, que, por vezes, sofre influência de culturas, épocas, de interesses pessoais ou de convicções religiosas ou filosóficas. Também, Justiça não é algo imbuído de bondade, necessariamente. Se o policial prende um malfeitor em ato de flagrante delito não proporciona algo de bom para o delinquente punido. No entanto lhe fez justiça, já que injustiça seria lhe prender sem que ele houvesse dado fundamento para a ação coercitiva.

A justiça original vive na efetiva liberdade, a justiça derivada subsiste na imposição. Justiça original se impõe, não é imposta pelo homem. Exemplo é a velhice do corpo físico, após os anos que se passaram. Outro é o desamor de quem foi continuamente maltratado por quem amava, ou o esgotamento dos recursos naturais pelo desgaste excessivo praticado pelo homem. A lei humana - bem como a divina, determinada aos homens - nasceu da necessidade de se fazer um esboço instrutivo normativo, para os “insensíveis” ou desinteressados, da justiça original, universal. A noção preponderante de justiça nas sociedades é baseada na posse, seja na área material ou na moral, a saber: nas infrações contra o patrimônio, integridade física, honra e imagem. A justiça original transcende esses elementos primários e projeta-se no espírito e em outras dimensões. Quando foram criados os preceitos na elaboração do direito consuetudinário ou normativo é porque já havia a existência dos princípios gerais do direito - conteúdo da justiça - no conhecimento inato humano.

A lídima justiça também não é realizada pelo homem. O ato de justiça praticado pelo homem é reflexo da justiça original, essência geradora, universal, impessoal da JUSTIÇA. Já a justiça perpetrada pelo homem tem a característica pessoal, individualista. Mesmo que em prol da coletividade. Justiça é ato de amor, não de bondade. Quando se castiga o filho pelo seu bem não se está sendo exatamente bom, mas justo. Embora essa justiça nasça do amor. Mas que amor é esse que se faz justiça contra quem se ama? Será esse o verdadeiro amor? A justiça pelo amor? Vingança decorre do desamor. E o que é o ódio a não ser a falta de amor? Seria, então, a vingança ato de injustiça? A injustiça pelo desamor? Pode ser essa a explicação para a nossa estada aqui nesse planeta, o sentido da vida terrena. Estaríamos na sala do aprendizado espiritual, laboratório das experiências metafísicas? O nosso professor seria o criador de toda essa engrenagem fascinante que nos desafia a evoluir sempre?

Nietzsche, que se mostrava ateu, disse que “é uma barbárie o amor a só uma pessoa, mesmo a Deus”. Se verdadeiro que o amor vem pela justiça, não seria justo que amássemos o pai da justiça, que nos alcançou por meio dela, não nos atingindo com a vingança do desamor? É notório que a nossa realidade é sedimentada na dualidade - que se afirmam, ou seja, uma revela a outra: vida, morte; luz, trevas; terra, água; matéria, espírito; saúde, doença; calor, frio; bem, mal... Sabemos que o corpo físico é regido pela mente, a família pelo pai, a sala de aula pelo professor, a escola pelo diretor, a cidade pelo prefeito, o estado pelo governador, o país pelo presidente, nosso sistema planetário pelo sol... numa cadeia que funciona em sintonia permanente. Não seria mais racional pensar que nesse sistema maravilhoso existe um condutor que o rege com maestria? E como a mente de um homem compreenderia um ser assim somente pelo pensamento? Mediante a observação e conjecturas? E como se pode provar a inexistência de algo que está fora do nosso alcance? De algo que não é visível, como pretendeu Nietzsche fazer?

Sempre será mais fácil se provar a existência do que existe e não é conhecido. O interessante é que a experiência espiritual é conhecida por muitos e é fervorosamente contestada pelos céticos que alegam influências meramente psíquicas para a explicarem. A lógica da razão jamais poderá explicar a fé ou anulá-la. Elas são dualidades que se afirmam e se completam. Mas isso para os bem intencionados. A humanidade traz consigo a dualidade de pertencer ao todo e de ser um. Individualidade versus coletividade. Individualidade com a sua liberdade de escolha e decisão - o chamado livre arbítrio - e a imensa solidão que a liberdade lhe traz, com as suas dúvidas atrozes. Nietzsche preferiu isso: a paz da negação de Deus à dúvida “incomodadora” da Sua existência, decorrente da oscilação da sua anterior e condicionada fé. Por isso ele se empenhava tanto em se convencer da tolice que era crer num ser superior e invisível aos nossos olhos. Morreu Nietzsche, em pouca idade, infeliz e doente.

Fonte de pesquisa: wikipedia.org

Alberto Magalhães

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Fanatismo, materialismo e fé

Eu não posso falar sobre gestação humana, eu nunca estive grávido. Não posso falar sobre o frio porque eu nunca estive no inverno europeu ou similar. E isso vale para muitas outras coisas. Como, por exemplo, falar com tanta propriedade sobre pessoas que mal conhecemos, às vezes, simplesmente seguindo comentários de pessoas maliciosas ou invejosas. Assim acontece com assuntos pertinentes a religião (do latim religare, religar, em português). Muitos exercem ferrenha e persistente crítica à Bíblia, sem terem o mínimo conhecimento do que trata essa coletânea de textos sagrados (o termo sagrado, do latim sacratu, refere-se a algo que merece veneração ou respeito religioso – Wikipédia). Os descrentes materialistas estão se viciando em zombar da divindade.

Para que possamos emitir opinião contestadora a respeito de alguma coisa devemos conhecer aquilo sobre o qual tratamos. Estudando, pesquisando, vivenciando – se possível – o que nos interessa abordar. Quem não conhece as Escrituras Bíblicas não tem autoridade para questionar o seu conteúdo, a sua mensagem, a sua finalidade. Os Gideões Internacionais preceituam que ela é como “o mapa do viajante, o cajado do peregrino, a bússola do piloto e a espada do soldado.” É o guia do fiel. Ela revela a mente de Deus, foi nos entregue para conhecimento e prática e será reaberta para o julgamento. Ela é a Constituição do mundo. Primeira e superior a todas as outras.

As instituições religiosas criadas são nascidas de interpretações de adeptos – ou grupos deles – dos preceitos contidos nos seus livros (a saber, 39 no Velho Testamento e 27 no Novo Testamento). Há adeptos que geram religiões. Há religiões que geram fanáticos. Há fanáticos que geram tragédias. A palavra bem interpretada gera fiéis, seguidores, amantes do bem, praticantes do amor Ágape e do Philos - o amor solidário, elevado, universal. Ridicularizar um símbolo que é considerado sagrado para outrem (como fizeram os integrantes do francês Charlie Hebdo) foi baixo, deselegante, ignóbil, no entanto, punir alguém com a morte por haver esnobado, tripudiado um símbolo sagrado da fé é reduzir a onipotência de Deus, no seu poder de julgar e agir.

O Deus islâmico, o Eterno, o Altíssimo, que é o meu também, disse ao Rei Saul que obedecer é melhor que sacrificar. A quem Ele deu ordem para matar os jornalistas franceses? Deus não precisa de homem bomba para conseguir alcançar seus intentos, para realizar seus irrevogáveis desígnios. E isso foi permitido no período de regência da Lei de Moisés. Depois Deus só concordou numa morte: naquela que é o sacrifício perfeito para aqueles que ouvem a Sua voz e abrem o coração: a do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, o Cristo prometido. Quem tem fé e é vingador peça ao SENHOR que caia fogo dos céus e consuma os ímpios blasfemadores, como fez o profeta Elias contra os 450 profetas de Baal. Afinal ele é o Senhor dos Exércitos e o Juiz Supremo. Os fanáticos fundamentalistas dilaceram a mensagem do amor divino tanto quanto os sacerdotes desonestos e os irreverentes opositores da fé.


Alberto Magalhães

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

A letra dói (ou a letra que faz doer)

Não vou mais escrever. Pelo menos por algum tempo, que espero seja longo. Até o dia em que eu ficar cheio de novo do instintivo, carnal, comum, dos vícios mundanos, da mediocridade minha e dos meus semelhantes que me mostra o quanto, às vezes, somos pequenos e ridículos.

Alguém me disse hoje: você nos manda e-mails demais, incomoda, escreve muitas bobagens, devia “dar um tempo” de letras... Na hora eu ri de tão engraçado que eu achei. Não, na verdade a pessoa que é minha amiga e colega de trabalho – a sinceridade é uma grande aliada e nos é mais útil que o fingimento ou a mentira – não disse nada disso. Falou-me em tom de brincadeira, ameno, mas para bom entendedor meia palavra basta, um pingo é uma letra.

Então logo que dobrei a primeira esquina me veio esse desejo de não ter o desejo de me expressar para os outros, dividindo algumas coisas que passei a ver como essenciais para nós que já estamos do meio para o fim, mais perto do ocaso que da gênese da vida. Não mais andarei catando tolices, juntando frases vãs, não mais comentarei da frivolidade das coisas que permeiam a nossa vida ou das virtudes e sentimentos que deveriam nos motivar, nem dos pensamentos para nos moldar.

Pronto! Lá vou eu com essa maldita mania adquirida de falar do que as pessoas não querem ouvir: da frivolidade do que nos move, nos incita e nos domina diariamente. Quando fiquei cheio de mim passei a encher o saco dos outros. Já nos bastam o pão e o circo, para quê então as abstrações e reminiscências de filósofos doidos, de escritores desocupados, de pensadores sedentários, de pregadores alienados do moderno contexto social-político-capitalista-vanguardista-exotérico-sincretista, etc. etc.

O bom mesmo é dinheiro. Com ele a gente pode tudo. Com ele a gente compra garrafas de bebidas pra “encher a cara” até ficar grogue e adoecer o indolente fígado, compra cocaína pra cheirar até sangrar o nariz, paga enfermeiros pra fazer aborto nas nossas filhas adolescentes, paga a um detetive pra espionar a nossa mulher (ou marido) suspeita (o), paga ao contador para que soneguemos o imposto devido, corrompe os interessados em nos livrar das contravenções e infrações, compra testemunhas falsas, paga o carro, combustível, motel e o cachê de garotas e garotos de "programas" viçosos e vistosos, leva pra casa filmes pornográficos que as crianças assistem quando damos as costas, faz festas pra regalar os “amigos” de plantão... Que maravilha o dinheiro, vou me importar só com isso agora. Com ele o mundo fica mais sedutor.

Para quê os textos que nos fazem pensar, questionar, incomodar o nosso interior e comprometer o nosso status? Não vou escrever, eu prometo! Não mais escreverei. Até o vazio voltar a ser o meu companheiro insuportável. 

Alberto Magalhães

A criança em conflito familiar

A criança mais sensível tem uma falta maior de atenção e cuidados. E assim ela se torna mais carente e quando os pais, por razões diversas, não podem lhe dar o que necessita isso produz em seu ser uma sensação de abandono, que produz a mágoa. A mágoa continuada gera o ódio e a revolta. Por sentir-se “abandonada” a criança cresce achando-se sem “dono”, sem norte definido, sem um porto seguro que possa lhe prender a uma “terra” firme para construir o seu projeto de vida. A bandeira que ela carrega está sem cor definida, sem símbolo significativo a lhe prender a um sentido salutar e perene. Não há valores importantes, sagrados a serem seguidos. Tudo o que vier será válido, então.

Quando chega à adolescência, a pessoa atingida por essas experiências fica a mercê de quem lhe dá atenção e carinho, seja quem for e sejam quais forem as suas intenções (mesmo as piores para a pessoa “desprezada” pelos seus entes queridos). A “valorização” de si por pessoas estranhas ao seu grupo familiar faz aumentar a distância entre o adolescente insatisfeito e seus pais, faz piorar a impressão negativa do adolescente para com as pessoas do seu círculo familiar e o faz supervalorizar “o gostar sem impor condições” de outras pessoas, fazendo esse adolescente “apagar” todos os defeitos da índole dessas pessoas, a ignorar a má qualidade de suas naturezas. O adolescente em questão passa a personificar (a assimilar o que) as qualidades negativas dessas pessoas a fim de cada vez mais receber a sua aprovação e “amor”. O adolescente desajustado emocionalmente acha-se “insuficiente” para ser aceito e amado pelos pais e consequentemente por seus familiares. Então passa a aceitar e aprovar os desaprovados para que possa facilmente ser aceito e querido.

Ele passa então a formar uma identidade, um perfil a partir do modelo das pessoas que lhe “acolheram” tão encarecidamente, após o seu conflito familiar, que gerou o conflito interior de existência e de identidade. O adolescente que se sente infeliz e que põe a culpa nos pais sempre procura amizade com pessoas “resolvidas” nessa questão para se abrigar e a superar. Para tanto se ampara em pessoas que desprezam as regras estabelecidas pelos pais, que transgridem padrões impostos por aqueles que os fazem “sofrer”. Assim sente que anulou o conflito, contornando o sistema educacional “opressor” tomando partido contrário aos seus “inquisidores”, não deixando mais a sombra inquietante da dúvida lhes incomodar. Decide-se definitivamente pelo profano, ou melhor: pelo moderno, já que o sagrado lhe é desconhecido. Nada mais é especial. Torna-se ativo combatente prático do modelo tradicional que atualmente combate o sistema inimigo apenas na teoria, o sistema da desagregação familiar e social.

O adolescente em conflito interior procura os outros “rebeldes” porque os vê como pessoas fortes, decididas, resolvidas que estabelecem um novo modelo de relação familiar e interpessoal: o da transgressão ao que lhe incomoda e “diminui”, o do enfrentamento àqueles que o “desprezam”, que não foram capazes, pelo caminho do amor padrão, de lhes fazer felizes. O adolescente desgarrado de suas origens envereda pelo caminho do livre querer, do bel prazer e do não compromisso com o modelo que lhe “feriu”. Esse “descaminho” se torna o seu caminho para crescer, embora esse seja o caminho da dor. Não mais o da dor emocional, transitória, mas o da dor real, permanente porque evolui para o psicológico e espiritual.


Após esse adolescente trilhar uma longa jornada no caminho da transgressão, da rebeldia, do abandono de si mesmo (quando pensava tomar as rédeas do seu destino), continuará culpando os pais por todo o seu fracasso social e pessoal.

Alberto Magalhães

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A mentira - ou o transtorno da personalidade perversa


É dito, com muita propriedade, que a verdade liberta. Já a mentira aprisiona o próprio autor dela e, por vezes, a sua vítima para sempre. Também como já foi dito, a verdade quando dói, dói só uma vez e a mentira é dolorosa sempre que é revivida. Há pessoas que mentem reiteradamente porque sofrem de uma patologia chamada de personalidade perversa, caracterizada pela ausência de efetivo sentimento social e por extrema insensibilidade moral. A inteligência é usada para mascarar a sua debilidade para relações interpessoais saudáveis. O mentiroso crônico é um antropofágico social, que não come a carne humana, mas devora a reputação do outro ainda com maior prazer.

No entanto pior que o mentiroso doentio é o mentiroso estrategista, que mente pela simples, covarde e medonha intenção de atingir o outro no que ele tem de mais importante: a sua honra. O primeiro é perverso porque é doente, o segundo por opção. Este é canalha, indecente, indigno. O primeiro precisa de uma camisa de força e um internamento para ser tratado, o segundo merece a prisão perpétua. “A maledicência sem fundamento é mentira perversa” sentenciou Públio Siro. Maledicência é inverdade, calúnia, difamação. A maledicência se espalha – pela boca dos seus simpatizantes – como a peste bubônica que assolou a Europa e a Ásia no século VI.

Muitas das vezes “A verdade dói, a mentira mata e a dúvida tortura”, como falou Bob Marley. Mesmo a “boa” mentira é algo ruim, pois é um logro, um embuste, uma ilusão. O Mestre Jesus disse que “O Diabo jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é o pai da mentira.” Consta no livro Provérbios, de Salomão: “Há seis coisas que o Senhor detesta e a sétima ele abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina projetos iníquos, pés que correm para o mal, testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.”

Alberto Magalhães

quarta-feira, 25 de junho de 2014

A desilusão na sociedade moderna

Já foi falado na perda da inocência da sociedade moderna. Infelizmente isso é verdade. E isso traz um resultado terrível para as pessoas. Muitas máscaras caíram, é verdade, mas também é verdade que a felicidade pessoal está mais longe de ser alcançada, que o ideal social torna-se uma utopia. E a busca da felicidade, movia os corações. Um encontro com alguém decente e um final feliz no relacionamento era o que importava. O conteúdo importava. Agora o que mais se visa é a forma. A boa índole perdeu o primeiro lugar para o desenho do corpo. A mulher, em geral, com a emancipação coletiva, esvaziou-se da autovalorização antes pleiteada e se enquadrou completamente no papel – desejado pelos homens – desenhando-se como mero objeto sensual para deleite dos machos, qual árvore de natal que se adquire como bem de consumo. A vulgaridade, o mau gosto e a artificialidade estão entronizados nas preferências e as pessoas se arrastam atrás dos superficiais. O objetivo da profissão - com a busca de identificação pessoal, perdeu lugar para a autoprojeção e valores puramente monetários. A ostentação material conquistou a todos. O 'paraiso' se faz pelo status e poder financeiro. Busca-se a realização pessoal apenas pela supremacia econômica e social.

Os princípios formadores de valores como a verdade, a honestidade, a honra, o respeito foram distorcidos. Passou-se a existir uma ciranda de troca de atitudes repreensíveis, deletérias. Aprendemos a ser como os outros, a 'dançar conforme a música'. Portanto não sou mais eu, sou o que os outros oportunizam que eu seja. Não tenho personalidade própria. Onde houver educação, serei educado. Onde não houver, não serei. Bem assim com a honestidade, a honra, o respeito. Os pais não têm mais voz ativa em nada para os filhos adolescentes. O exemplo comum é o de afrontas a princípios basilares da convivência familiar, base de construção de uma sociedade saudável. A lei anulou a primeira autoridade instituída no mundo, quando deixa de dar-lhe legítimo suporte legal para acompanhar com eficiência os atuais costumes autodestrutivos da prole. Os próprios pais perderam o rumo e a responsabilidade de mestres quando, desde cedo, ensinam aos filhos que “todos os políticos são corruptos”, que “todos os pastores são ladrões”, que “padre é pedófilo”, que “não traga desaforo para casa”, quando lança suspeitas dizendo que a vizinha é infiel ao marido por alguma dedução pessoal, que o vizinho “é um safado”, etc. Pior ainda quando se fala mal dos próprios familiares. As crianças são bombardeadas com informações negativas de todos aqueles que estão a seu redor, pintando em sua mente um quadro aterrador da sociedade que integra.

Nesse modelo atual da sociedade brasileira verificamos o aumento de separação dos casais e da violência familiar com o evento morte, dos conflitos entre pais e filhos, do maior uso de drogas e álcool, da gestação infantil, da morte violenta de adolescentes, do aumento de furtos e roubos, etc. Com a quebra de antigos paradigmas busca-se a satisfação pessoal na sensação de poder. Sobretudo no poder político, econômico, físico-sexual e no da violência. Aprendemos que as pessoas só respeitam esses atributos, não mais a nossa boa índole, a nossa conduta exemplar, os nossos princípios inegociáveis, os nossos valores altruistas. Logo nos ensinam que para entrar no time dos bem sucedidos devemos ser espertos (não de coração puro), desonestos (não generosos), agressivos (não tolerantes), ricos (não realizados profissionalmente), que devemos ser os 'importantes', os primeiros, etc. E vamos passando para os outros o que temos aprendido. Muitas vezes conseguimos superar a vários. Só não coseguimos ser os melhores como filhos, cônjuges, pais, amigos, vizinhos. Estamos aprendendo a ser mais tudo e menos gente.

Alberto Magalhães

domingo, 15 de dezembro de 2013

O marxismo materialista


O marxismo, atualmente reverenciado por uma terça parte da humanidade, predominará no mundo quando o capitalismo for rejeitado pelos povos, por ser considerado ineficiente. E vai trazer mais infelicidade. O marxismo que deu origem ao comunismo cria o domínio do proletariado em oposição a livre iniciativa/capitalismo.

Ocorre que jamais o povo dominará, seja a qual regime de governo ou sistema político estiver submetido. Sempre haverá representantes governando pelo povo causando desmandos, injustiças, desigualdades, arbitrariedades. Todo governo humano é ineficiente e coercitivo e naturalmente gera insatisfações. Alguns até já tentaram amenizar o totalitarismo implacável do marxismo com um modelo de “marxismo humanitário”, quando percebemos que a teoria original usa a histórica questão da opressão do povo pelas “elites dominantes” para, por outra vertente, oprimir a todos.

O marxismo alimenta a ilusão de que só o fator socioeconômico austero, gerido pelo Estado, tem a capacidade de restaurar o individuo, e de que a religião, a cultura, a economia vigentes são os fatores que estragam a percepção dos meios adequados para que se construa uma sociedade igualitária e justa, com todos tendo acesso a tudo o que é produzido. Nessa visão simplista de consertar o mundo, o marxismo diz que o Estado é quem deve reger de forma extremamente pragmática, num exacerbado materialismo delirante, a consciência das pessoas, porque esta é formada pelo coletivo e não ao contrário, ou seja, o homem em si mesmo é vazio, sendo influenciado apenas pelos fatores externos. E sabemos que há elementos psicológicos universais, já no bebê, “que não são adquiridos ou aprendidos” (Wikipédia) e que o pensamento humano é autônomo e criativo, inquiridor por natureza.

A verdade é que quem oprime o homem é o próprio homem (o homem é o lobo do homem – Thomas Hobbes), não os modelos políticos e econômicos precisamente, mas quem os conduz. Não se pode influenciar a alma das pessoas por meio de teorias filosóficas, políticas ou econômicas a fim de consolidar o bem. Principalmente abolindo a imagem de Deus, única fonte que permite ao homem o prazer na busca da solidariedade, fraternidade, igualdade vislumbrando o bem comum.
Alberto Magalhães

sábado, 9 de novembro de 2013

O fracasso do Estado brasileiro

Alberto Magalhães*

O Estado é o guardião da ordem pública e do bem estar social e deve providenciar tudo o que for necessário para que o cidadão tenha preservados a sua saúde física e mental, a sua vida, a sua integridade física, o seu patrimônio e a sua educação pela qual haverá o eficiente médico, o professor, o juiz, o engenheiro, o legislador... Esses são os serviços essenciais prestados pelo Estado e em seguida, o cidadão deve ter ao seu dispor transporte, água e luz. Devemos lembrar que saneamento básico consta do rol prioritário na assistência à saúde.

O que vemos diariamente no Brasil, através da mídia, é o caos no transporte público e tantas comunidades sem saneamento básico, água potável, luz elétrica, escola, posto de saúde e delegacia de polícia operante. Vemos meliantes enfrentando a Polícia (portanto, enfrentando o Estado) em guerrilhas, com fuzis e metralhadoras, invadir órgãos de segurança para soltar criminosos e se apossar de armas do Estado, executar policiais e outros agentes da autoridade estatal, contrabandear armamento de grosso calibre em grande quantidade, explodir caixas eletrônicos, estabelecer e consolidar o tráfico de drogas mais facilmente que indústrias e empresas legais conseguem se estabelecer. Também vemos um número alarmante de homicídios, roubos e menores inseridos na marginalidade.

Mas para demonstrar o fragoroso fracasso do Estado brasileiro ainda falta o fator da impunidade e de outro que falarei mais à frente. A impunidade não só é um mal que prestigia o mal original, como também gera a perigosa cultura da vantagem pessoal. Ora se outros se safam impunes eu também poderei sair impune, ou seja, eu também quero esse benefício concedido historicamente aos que tiveram acesso ao poder ou ao muito dinheiro.

A pressão social, no Brasil, ao invés de acabar com a impunidade e a corrupção alargou a abrangência destes entre os agentes públicos administrativos e políticos. No entanto os lesa-pátria estão incomodados com os baderneiros nas manifestações populares. Claro, eles não querem os holofotes apontando para a verdadeira baderna que eles fazem com as finanças públicas. Eles que negam ao cidadão mais modesto a oportunidade de ter dignidade social, sem a qual a dignidade humana fica relegada a uma simples teoria.

Já o outro fator, o ingrediente final, a cereja do chantilly do comprovado fracasso retumbante do Estado brasileiro é a propagação pelas autoridades, constituídas para promover a saúde, a segurança e a educação de que lhes faltam os recursos necessários para cumprir o seu dever, para oferecer ao cidadão os direitos essenciais que dão sentido a formação de uma sociedade civilizada, governada por um Estado democrático de direito.

O carimbo do fracasso aparece quando vemos um chefe de Estado (seja presidente ou governador) dizer que não tem recursos suficientes para a saúde e a educação. Quando vemos um gestor da pasta da saúde dizer que existe a grande demanda porque o povo adoece demais ou que está vivendo mais – porém não vive melhor, por causa exatamente da ineficiente política estatal de saúde. Quando o governo diz que no Brasil não há médicos suficientes para atender a população.

Quando vemos os chefes ou comandantes de polícia a toda hora falarem que não existem policiais suficientes para dar segurança à população, mas “vão fazer um remanejamento de policiais” para determinada área. Esses brilhantes “estadistas” vão tirar policiais de onde? Dos 2 % que estão lotados em outros órgãos? Ora a defasagem de efetivo é de 100 %, em geral. O mesmo acontece com relação a juízes e promotores. Os processos se arrastam lentamente, ora em desfavor da sociedade, nos crimes, ora em desfavor dos cidadãos, na área cível. Além do atraso doloso do Estado – leia-se, gestores mal intencionados - em cumprir com a sua responsabilidade de pagar os valores devidos.

O fracasso do Estado está anunciado quando estudiosos do Brasil informam que existem mais de 100 mil criminosos para serem presos – grande parte por vários mandados de prisão - e que em cada 100 criminosos que não são presos em flagrante apenas 20 deles são identificados, 10 são presos e só cinco cumprem pena. Estou usando dados “redondos”, aproximados. Resolvida essa demanda todo o efetivo – já defasado - do judiciário precisará crescer vertiginosamente. O fracasso do Estado está visível quando vemos faltarem celas para abrigar os que estão foragidos ou prestes a delinquir, ou mesmo suficiente para os que já estão recolhidos no sistema penitenciário.

Mas todo mundo sabe que há recursos suficientes para todos esses serviços essenciais, sabe que boa parte deles é desviado para os bolsos de gestores públicos da União, dos Estados e dos Municípios, que os recursos são gastos com as mordomias e benesses desses gestores, que os recursos são mal usados em obras superfaturadas e de má qualidade - que logo se acabam e têm que ser feitas de novo, que também servem para pagar os CCs de assessores políticos desnecessários, e em valores maiores que pagos aos CCs técnicos, e que há gasto demasiado com a propaganda política dos governos.

Quando temos conhecimento de que existe mal uso dos recursos nas casas legislativas do país e em setores do judiciário, e de que o Brasil permanece no topo da lista mundial de índices do atraso e da injustiça social, depois de tanta luta de brasileiros contra a ignorância, a pobreza e a desonestidade, na construção de uma identidade nacional digna, nos vem a impressão de que já é tarde demais para reparar as variadas mazelas impregnadas em nosso país pelo iníquo sistema político que nos rege.

*Alberto Magalhães é funcionário público do Estado de Sergipe e presidente do Centro de Estudos e Ação para o Progresso Humano e Social – CEAPHS.