terça-feira, 14 de setembro de 2010

A economia e a natureza decadente

Já foi dito que o Brasil não pode crescer se valendo, principalmente, dos recursos naturais disponíveis no país que, a médio e longo prazo, tendem a se exaurir. Também é verdade que nenhum país deve adotar essa política perniciosa ao meio ambiente, devastadora dos recursos naturais de uma civilização, como fizeram os países que se desenvolveram antes de nós e que hoje são os primeiros a nos criticar, o que por outro lado não justifica a desordenada exploração desses recursos por nós, além do seu desperdício constante. O seu uso deve se dar de forma econômica e racional, já que esses recursos se esgotam e já estão em adiantado processo para tal. Estamos já sofrendo o aquecimento global, as rápidas mudanças climáticas, as tragédias súbitas da natureza violentada.

O desenvolvimento sustentável se dá na exploração gradativa, responsável e inteligente do solo, da água, das matas, que se não naturalmente são potencialmente renováveis, do petróleo e minérios (recursos não renováveis). Devem ser viabilizadas urgentes e efetivas ações voltadas ao reflorestamento, à conservação efetiva dos rios, à manutençaõ de reservas biológicas, ao incentivo à reciclagem, às pesquisas e à conservação da biodiversidade promovendo a discussão desse tema sob o prisma da biologia genética para além da esfera acadêmica. Deve haver uma fiscalização permanente dos poderes públicos e dos cidadãos contra a exploração clandestina dos recursos naturais nacionais. Para ser possível que se abra mão do modelo atual de crescimento econômico será preciso estimular a poupança doméstica nacional, exercer severo controle sobre as contas públicas (com uma auditoria rigorosa sobre a dívida pública da união que consome quase metade do orçamento nacional e fomenta a especulação financeira), e promover relevantes investimentos na infraestrutura do país, num moderno sistema de saneamento básico, na capacitação tecnológica, na educação em todos os níveis escolares e na capacitação profissional das pessoas que não chegarão aos cursos superiores.

A atual política econômica adotada no mundo capitalista é altamente deletéria aos recursos naturais, ao meio ambiente, à boa qualidade de vida e fatalmente será aniquiladora da própria vida. Triste sociedade que é governada por políticos profissionais, com seus projetos particulares de poder.

Alberto Magalhães

2 comentários:

Marcos Vinicius Gomes disse...

Estive pensando muito no tema esta semana. Há um certo discurso 'salvem o planeta' , mas na prática existem lacunas graves. Em SP, no Bairro de Higienópolis (classe média alta, onde mora o FHC, uma espécie de 'Copacabana paulistana') há uma movimentação contra projeto de instalação de estação de metrô no bairro por parte dos moradores. Segundo eles, a construção de uma estação de metrô perto de suas casas (o sonho de consumo de qualquer paulistano com um mínimo de sanidade mental e consciência ecológica, além de senso de lucratividade, visto que os imóveis perto do metrô valorizam muito) trará danos. Danos para essa gente esnobe é a circulação de pessoas 'da plebe' que não tem certamente renda suficiente para alugar um apartamento por R$ 3500,00, (valor médio)na região. Daí eu concluo que a ideologia 'salvar o planeta' somente terá razão de ser se todos (inclusive a elite esnobe brasileira) adotar antes o ideal 'salvemos a nós mesmos...da ignorância'. Começando com reparação da injustiça, empenho máximo em incentivos educacionais, tecnologia, enfim, todos os tópicos relacionados no post em vista do bem comum.

Alberto Magalhães disse...

Concordo plenamente com você, caro Marcos,tudo que deve ser preservado deve ser em função do ser humano,para preservá-lo da auto extinção ou de ter uma vida miserável no futuro. Antes de tudo, endosso suas palavras: o que primeiro deve ser preservado é a dignidade humana.

Abraço,