domingo, 23 de janeiro de 2011

Uma psicóloga que escreveu, corajosamente, algumas verdades

 
 
Uma psicóloga que assistiu ao filme escreveu o seguinte texto:
  "Fui ver o filme Cazuza há alguns dias e me deparei com uma coisa estarrecedora.. As pessoas estão cultivando ídolos errados..
Como podemos cultivar um ídolo como Cazuza?

 
Concordo que suas letras são muito tocantes, mas reverenciar um marginal como ele, é, no mínimo, inadmissível.
              Marginal, sim, pois Cazuza foi uma pessoa que viveu à margem da sociedade, pelo menos uma sociedade que tentamos construir (ao menos eu) com conceitos de certo e errado.              

           
No filme, vi um rapaz mimado, filhinho de papai que nunca precisou trabalhar para conseguir nada, já tinha tudo nas mãos. A mãe vivia para satisfazer as suas vontades e loucuras. O pai preferiu se afastar das suas responsabilidades e deixou a vida correr solta.
           
São esses pais que devemos ter como exemplo?
           Cazuza só começou a gravar porque o pai era diretor de uma grande gravadora..
           Existem vários talentos que não são revelados por falta de oportunidade ou por não terem algum conhecido importante.
           Cazuza era um traficante, como sua mãe revela no livro
, admitiu que ele trouxe drogas da Inglaterra, um verdadeiro criminoso. Concordo com o juiz Siro Darlan quando ele diz que a única diferença entre Cazuza e Fernandinho Beira-Mar é que um nasceu na zona sul e outro não.
           Fiquei horrorizada com o culto que fizeram a esse rapaz, principalmente por minha filha adolescente ter visto o filme. Precisei conversar muito para que ela não começasse a pensar que usar drogas, participar de bacanais, beber até cair e outras coisas, fossem certas, já que foi isso que o filme mostrou.
            Por que não são feitos filmes de pessoas realmente importantes que tenham algo de bom para essa juventude já tão transviada? Será que ser correto não dá Ibope, não rende bilheteria?
            Como ensina o comercial da Fiat, precisamos rever nossos conceitos, só assim teremos um mundo melhor.
            Devo lembrar aos pais que a morte de Cazuza foi consequência da educação errônea a que foi submetido
. Será que Cazuza teria morrido do mesmo jeito se tivesse tido pais que dissesem NÃO quando necessário?
            Lembrem-se, dizer NÃO é a prova mais difícil de amor .

            Não deixem seus filhos à revelia para que não precisem se arrepender mais tarde. A principal função dos pais é educar.. Não se preocupem em ser 'amigo' de seus filhos
.                
            Eduque-os e mais tarde eles verão que você foi à pessoa que mais os amou e foi, é, e sempre será, o seu melhor amigo, pois amigo não diz SIM sempre."

                     Karla Christine
                   Psicóloga Clínica

Um comentário:

Marcos Vinicius Gomes disse...

Cazuza representa um ideal buscado há tempos e com muito mais afinco nos últimos tempos. O do incompreendido, do desajsutado não reconhecido pelo 'sistema', de alguém que veio para subverter (mais um ) a ordem das coisas. Somos um pouco culpados por isso, pois temos em cada um de nós, uma visão meio estereotipada do artista e da arte, que para ser atingida, deve ter em seu instrumentador (artista) total liberdade para sua criação. 'A arte - e por consequência o artista - não devem ter amarras é o que circula por todos os debates envolvendo arte. Mas se fôssemos seguir a risca essa meta, a arte (e isso não está longe de acontecer) se tornará uma mera representação da realidade (e pelos devios da humanidade, a representação do que esta realidade tem de pior). E isso não está distante, na bienal de SP vi vídeos que mostravam pichações em construções como 'arte'. Daqui a pouco teremos filmagens de autópsias como representções artísticas. Seguindo essa linha de 'arte realista' por duas vezes houve uma exposição em SP de cadáveres dissecasdos vindos da China (não se sabe em que circunstâncias, lá os direitos humanos não são respeitados) que , segundo os expositores tinham a pretensão de 'algo educativo'.
Além de representar um ideal de niilismo tão caro entre jovens atualmente, Cazuza também repreçsenta um ideal caro a grupos que desejam a igualdade de gêneros forçada e artificial, usando para isso um discurso frágil -leia-se feministas. Ele, um filho da burguesia, com um pai ausente (representação do patriarcado opressor) que não o atendia em seus anseios de filho. A mãe, também abandonada pelo homem machista e impiedoso era alheia ao mundo e fora criada em uma escola de freiras. Eis que vem um filho que se rebela contra a situação opressora e quebra paradigmas, assumindo a homossexualidade e questionando a sociedade. Nada mais perfeito para a cartilha feminista, que vê no homossexualismo - tanto masculino quanto feminino- um ideal de equidade (artificial, diga-se de passagem) onde uma pseudofelicidade é anunciada aos quatro cantos como uma vitrine e uma alternativa à opressão da família patriarcal que tanto mal tem feito à humanidade. Numa breve análise, as feministas apóiam grupos de defesa de homossexuais não por causas humanitárias e pelo respeito à liberdade que o estado´de direito pode oferecer, mas por ver neles uma propaganda a suas metas, o que através do tempo tem mostrado seu lado cruel e desestruturador da sociedade como um todo, desrespeitando o indivíduo para a concretização de algo utópico e irrealizável num ambiente democrático.