quarta-feira, 28 de outubro de 2009

* Quem deseja namorar sério pode usar a internet a seu favor, diz psicóloga

Exclusivo VEJA.com/Comportamento

Por Natália Cuminale

Por que, na opinião da senhora, é crescente a procura das pessoas por sites de relacionamento amoroso?

Porque atualmente os relacionamentos estão efêmeros, confusos, sem definição. Temos pesquisas que relatam que existe uma confusão entre ficar e namorar, o que é compromisso e o que não é. Você não sabe nem se está namorando. Fizemos um estudo para saber por que as pessoas vão buscar nas agências de casamento. Descobrimos que não são pessoas mal amadas e nem mal resolvidas, elas possuem características interessantes. Elas buscam um estilo de amor diferente, mais maduro, um amor pragmático. São pessoas que sabem que querem um compromisso e que buscam parceiros que possam oferecer isso no lugar certo. Está cada vez mais complicado estabelecer um relacionamento. Na vida real já está difícil definir se existe um compromisso, então as pessoas buscam alternativas.

Mas podemos dizer que é uma estratégia que funciona?

Quem vai a um site de relacionamento quer um relacionamento. Se você só quer uns beijos e uns abraços ou um sexo casual, é algo muito mais fácil de conseguir e não precisa recorrer a esse tipo de recurso. Dados antropológicos mostram que são os iguais que se atraem e não os opostos. Segundo estudos, em 85% de todas as relações são encontradas quatro variáveis que sempre são as mesmas: nível socioeconômico, educacional, religião e raça. Não quer dizer que opostos não podem se atrair, só que dentro do conceito estatístico eles são sempre exceção. Então se você escreve o que você quer e encontra isso, há uma grande chance de funcionar.

Os usuários normalmente alegam que é melhor saber mais sobre uma pessoa antes mesmo de conhecê-la pessoalmente. Não parece que a lógica está invertida?

Realmente inverteu-se a lógica que achava que o natural é o flerte e o cortejar, quando você olhar de longe e faz gestos de flerte que são multiculturais. O primeiro indicador para uma paquera era a aparência. Na internet, a pessoa pesquisa um perfil, mas tenho a impressão que a aparência ainda é importante, principalmente para os homens. É um flerte virtual, mais pragmático. Isso economiza tempo. Às vezes, só no terceiro encontro você vai descobrir que a pessoa mora do outro lado da cidade, ou vai descobrir que ele é casado, ou que ele é fumante e você tem alergia a cigarro. Corre-se o risco de você perder alguma coisa mais importante. Você descarta um fumante que poderia ter um monte de características boas, por exemplo. O perfil não pode ser tão restrito. É preciso ter um olhar um pouco mais amplo.
Nota do blog: cautelas devem ser adotadas nos relacionamentos pela internet.

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